Acontecimentos: a transformação em constante movimento

A cada instante o mundo se modifica, um aparelho é considerado velho, uma notícia se desatualiza e a cada transformação o homem precisa se renovar

O mundo vive em constante rotação. A cada giro a terra completa um ciclo, as pessoas se modificam, o ambiente é modificado e na comunicação também é assim. No entanto, de uma forma mais intensa.

Sua forma é veraz e a internet e a tecnologia contribui para a rapidez da informação. Sem falar, da forma como as pessoas recebem essa informação. Tudo isso é discutido e pautado.

Para você como os meios de comunicação se situam nessa nova era? Como as pessoas estão se adaptando a nova forma de produção da notícia?

Para responder algumas desses paradigmas, a RBS criou 11 premissas, no projeto The Communication Revolution.

As premissas são baseadas no tratamento em que se deve dar as novas formas de comunicação. Não apenas a produção de conteúdo, mas como isso é recebido e retorno do que é veiculado.

Muito se fala em Aldeia Global, mas será mesmo que a informação chega a todos? Se ela é realmente clara? Se é analisado o grau de satisfação do público? Será que os métodos ainda são arcaicos?

Uma informação transparente é o diferencial 

Com a informação em constante rotação, a palmo da nossa mão, a credibilidade é a ferramenta mais importante na comunicação.  O leitor tem a internet como ferramenta de apoio a tudo que lê, vê e escuta, portanto, os comunicadores precisam cada vez redobrar sua atenção.

É aí que entra a credibilidade e transparência. Se um jornalista ou uma mídia veicula uma informação errada e o leitor percebe o erro, a confiança entre ambos é quebrada.

No entanto, se esse veículo volta atrás e se desculpa, incentiva a confiança do seu público. “Hoje nós temos uma resposta imediata e que gera conflitos, confusões, mas isso é da grande história da transparência. Isso favorece a transparência e aumenta nossa responsabilidade de estar publicando uma coisa — infinitamente”.  (Xico Sá, jornalista)

Sendo assim, cada vez mais a imprensa deve se preocupar em conferir o que é publicado. Um exemplo é se um erro for publicado, com a veracidade da internet, em poucos minutos pode alcançar o mundo inteiro.

“Procure acertar mas se você errar, reconheça imediatamente que errou. É uma brincadeira muito séria de transparência que a gente tem que jogar”. (Marcelo Tás, GNT)

Apesar de ser um dos códigos da Comunicação, a credibilidade e transparência, sem o advento da internet o cenário era outro. Embora toda tecnologia, câmeras, computador, filmadoras e equipamentos sofisticados, é como Sonia Bridi diz:

“Essas ferramentas vão mudando, mas a essência do trabalho do jornalista é contar uma história, que não é uma história inventada.”

A essência do jornalismo continua: narrar fatos. Ou seja, sua transparência e credibilidade estão apenas em uma lupa maior, onde o usuário pode instantaneamente detectar algo.

Leitor e comunicador: ciclo de trocas

Se para um leitor, a credibilidade e confiança é importante, para o jornalista a sua opinião é como um diamante. Quem redigi uma matéria deve pensar como aquele fato será repercutido.

“Porque, como jornalistas, a confiança sustenta tudo que fazemos. Ela subjaz a cada aspecto de tudo que fazemos; o âmago do nosso negócio é a credibilidade”. (Nick Bilton, NYT)

Além disso, a internet e sua facilidade de compartilhamento, faz a produção de conteúdo seja intensa. Cada site fala de um assunto, uma pessoa compartilha um fato, alguém filma um acidente e por aí vai.

“Hoje, a notícia com a Internet, com as redes sociais, é como você encher uma sala de gente e todo o mundo estar falando ao mesmo tempo: Algumas pessoas estão falando coisas relevantes, outras estão só fazendo barulho”. (Sonia Bridi, TV Globo)

Além disso, é possível percebe que a cultura e participação independe do espaço físico. Os fatos vão além das fronteiras dos países.

“Nós temos uma noção planetária, nós sabemos cada vez mais como é interconectada a questão econômica, a questão dos recursos, a questão mesmo política.” (rabbi Nilton Bonder, Lider espiritual da Congregação Judaica do Brasil e escritor)

Um exemplo são as campanhas de apoio a Guerra da Síria. A mobilização e ajuda independe do espaço. São criados fóruns e abaixo assinado que podem ser acessados por qualquer individuo.

Outro exemplo são as manifestações de 2013. A mobilização foi tão intensa que todo o país foi para as ruas, instruídos por meio das redes sociais.

Ou seja, este meio contribui para a formação de pensamento crítico, por dar acesso a informações de diversos meios. Além disso, o ano de 2013 destacou a mídia ninja.

A mídia ninja foi um meio que amadores ou comunicadores observaram para mostrar o seu lado da notícia.  Sem apoio das grandes mídias, as redes sociais eram e são usadas como espaço de manifesto.

“O que se mostra interessante é que dentro desses conflitos, desses swarmings, a educação e o debate e as discussões fomentam a opinião pública, e ela cria também um consciente coletivo.” (Rony Rodrigues, sócio-fundador d’OGrupo)

A informação não tem fronteiras e nem dono

Nenhuma informação possui apenas um lado. Nenhum jornalista é o dono da verdade. A informação é mutável e todos devem ter acesso a ela.  “Não existe mais o preto e branco, é o tom de cinza que faz.” (Tiago Mattos PERESTROIKA, Co-fundador da Escola de Atividades Criativas Perestroika)

Ou seja, não há fronteiras ou limites.  Sendo assim, o jornalista precisa pensar no modo como quer seu trabalho, de qual forma isso chegará diretamente a sua audiência.

A tecnologia é uma “mão amiga” ao jornalista, então basta que ele pense em modos atrativos para os leitores. Sem falar que seu leitor pode ser um impaciente que quer conhecimento fácil e rápido.

Isso é um dos desafios na comunicação: a rapidez de ser consumidor informação. Alguns pensam que estar conecto é sempre estar com a tela do celular aberta e a timeline “correndo”.

Mas consumir informação não estar sempre conectado. “As pessoas estão misturando essa coisa de não estar atualizado ou de ter que ficar plugado o tempo inteiro.” (Bia Granja & Bob Wolheim, fundadores da youPIX)

Nenhum método jornalístico é permanente

O grande mal da comunicação é acreditar que o jornalismo é imutável. No entanto, diversos paradigmas são construídos a cada dia para quebrar essa certeza.

“A gente tem medo do erro, e hoje a gente aprende errando. As empresas têm que aprender errando. A gente tem que experimentar. As coisas estão em estado beta.” (Marcelo Tas, GNT)

E o que é estado beta? É algo mutável. Em constante movimento. É quando a informação ou um produto não possui limitações. No caso do jornalismo é a notícia em transformação.

“O pensamento beta, em que nada está pronto e tudo está em transformação. A natureza é beta”(Tiago Mattos, PERESTROIKA). No entanto, não é fácil esse estado beta. Os jornalistas, os veículos de comunicação e as pessoas precisam se adaptar. Cada dia é uma modificação diferente.

É deixar a rotina de lado, criar novos hábitos e opinião e, construir a cada dia uma nova narrativa neste mundo tecnológico. Essa rotatividade reflete no jornalismo e na sua produção e, em como agradar o público.

“Muitas marcas descobriram que nem sempre precisam de uma editora para alcançar a audiência. Agora conseguem alcançar a audiência diretamente, em muitos lugares, através do Twitter, Facebook, Instagram.” (Raju Narisetti, THE WALL STREET JOURNAL)

Ou seja, a era digital vem para quebrar tudo que era considerado importante nos formatos jornalísticos. Sem falar em como o mercado e a procura por profissionais se alterou.

Ou seja, “a Internet vem com um pensamento muito mais coletivo do que individual”. (Felipe Neto)

Sendo assim, para que o mundo entenda a transformação e comunicação é necessário focar o olhar. É necessário perceber que a forma de receber a notícia mudou e que o público está cada vez mais exigente.

 

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