Afinal: o que são seis segundos de atenção?

O completo artista Humberto Gessinger, com raízes gaúchas, já foi vocalista da banda Engenheiros do Hawaii e atualmente possui uma vasta carreira musical solo, além de projetos parale

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Fonte: Estante Cômica

los como Pouca Vogal. O portalegrense é autor das obras Meu Pequeno Gremista (2008), Para Ser Sincero (2009), Mapas do Acaso (2011) e Nas Estrelinhas do Horizonte (2012).

Fugindo da linha do último livro Nas Estrelinhas do Horizonte – sua autobiografia –  Gessinger lança em Seis Segundo de Atenção (2013) um repertório de crônicas relacionadas a seu dia a dia, suas músicas e seu conhecimento cultural.

Com um linguajar apurado nas 163 crônicas, Humberto instiga o leitor a ter conhecimento em inglês, em termos musicais, personalidades como Wim Wenders e fatos como a Segunda Guerra Mundial, além de citar livros como A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells. Gessinger em todo o seu livro trata como aspecto principal sua vida e toda sua carreira musical.

Sempre em contato com o leitor, o cronista usa títulos divertidos e que o atraem como: “Sexta-feira santa”; “1,2,3,4,5,6 Eu Tu Ele Nós Vós Eles”; Vento que venta lá (também venta aqui); e “Seis sentidos da mesma direção”.  No entanto, nem sempre os temas dos títulos têm relação direta com o conteúdo. O escritor mescla o bom humor com temas sérios, sempre usando a ironia para opinar sobre temas como política, música, cultura, tecnologia e assuntos banais.

Para aproximar do seu público para um diálogo, ele usa de gírias, sotaques e vocabulário da região sul. Sempre finalizando suas crônicas com perguntas e questionamentos como reflexão. O trecho abaixo é um exemplo:

“A questão não se esgota em ser ou não do ramo. Talvez o tal ramo nem exista em determinados meio social e período histórico. Quantos extraordinários artistas, cientistas, atletas ou filósofos morreram antes de nascer, pois estavam na hora errada no lugar errado (cedo demais, tarde demais, longe demais)? ”

Sempre trazendo família e mundo particular aos texto, com  personagens como sua filha, Clara, seu tio, Antônio,  e seu ex-companheiro de banda, Carlos Maltz. No entanto, sempre em primeira pessoa, Gessinger é o protagonista das histórias. “Mas ouvir minha voz, minha banda, minha composição numa daquelas rádios que só tocavam as mais tocadas foi algo estranho. ”

O livro se demostrou ser bastante pessoal, como se fosse um diário. Sempre opinativo, as crônicas de Gessinger são puramente literários, se distanciando das características de textos jornalísticos como resenhas, artigos e reportagens. As crônicas deste livro apresentam gírias e diálogos que fogem do mundo do Jornalismo, como a passagem: “É muito pouco e muito lento o que se pode fazer para mundo o espírito do tempo (dãããã! Óbvio né? Se não seria o espírito do tempo). Sacar qual é o tal espírito já é um grande passo”.

Além de diversos incógnitas presentes nas crônicas, o número seis apresentado no título e em diversos momentos do livro não possui uma explicação clara, pairando como uma interrogação do porquê do uso constante deste número. A perseguição pelo seis aparece oito títulos como: “Seis pilhas para o meu rádio”; “Seiscentos anos de estudo”; “Seis sentidos na mesma direção”; e “O homem de 6 milhões de dólares”.

Uma das características marcante do escritor é sempre correlacionar suas crônicas ao seu repertório musical como no título “Seiscentos anos de estudo”, que um trecho da música “Pra entender”, composta pelo próprio no ano de 2013. Abaixo uma parte da música que correlaciona temas presentes em todos os seus textos, além do próprio título do livro.
“Um sonho que não tem fim
Um filme sem muita graça
Uma praça sem muito sol
Seis cordas pra guitarra
Seis sentidos na mesma direção
Seiscentos anos de estudo
Ou seis segundos de atenção”

Gessinger também trata o leitor como um aluno, sempre se mostrando superior ao dialogar sobre assuntos cinema noir, rádio mainstream e expressões gringas como blessing in disguise.  O autor sempre opinativo deixa claro sua opinião sobre o futebol e sobre comentaristas futebolísticos. O trecho que marca sua expressão é:

“Nos bate-papos esportivos, na falta de assunto mais momentoso, frequentemente pinta a questão: “É necessário ter sido jogador para ser técnico”. Sempre tem alguém que responde: “Para ser jóquei não precisa ter sido cavalo! ”. É um clássico da oratória.

Ou também a passagem: “Quando os colegas comentaristas vindo do curso de jornalismo, sem experiência de campo, faziam teses mirabolantes, cheias de palavras, com muitas sílabas, num tom de enfado ele repeti: “Ah, esses intelectuais do futebol…”

Além disso, o autor deixa claro sua paixão pelo Grêmio, relembrando um fato quando ainda era criança. A passagem em questão é: “Quando eu era piá, costuma ouvir um comentarista esportivo das antigas. Ele havia jogado no Grêmio, na década de 30. Depois, atuou como árbitro e ainda treinou a dupla Gre-nal. Muitos consideram Foguinho (era este seu nome de guerra) um dos pilares sobre os quais se ergue a tradição gaúcha do futebol-força. ”

Por fim, o que impacta o leitor na obra é a mesclagem entre crônicas e letras de músicas do próprio autor e parcerias, a afim de correlacioná-las e mostrar que seus textos vão além livro, são próprias canções.

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