Acontecimentos: a transformação em constante movimento

A cada instante o mundo se modifica, um aparelho é considerado velho, uma notícia se desatualiza e a cada transformação o homem precisa se renovar

O mundo vive em constante rotação. A cada giro a terra completa um ciclo, as pessoas se modificam, o ambiente é modificado e na comunicação também é assim. No entanto, de uma forma mais intensa.

Sua forma é veraz e a internet e a tecnologia contribui para a rapidez da informação. Sem falar, da forma como as pessoas recebem essa informação. Tudo isso é discutido e pautado.

Para você como os meios de comunicação se situam nessa nova era? Como as pessoas estão se adaptando a nova forma de produção da notícia?

Para responder algumas desses paradigmas, a RBS criou 11 premissas, no projeto The Communication Revolution.

As premissas são baseadas no tratamento em que se deve dar as novas formas de comunicação. Não apenas a produção de conteúdo, mas como isso é recebido e retorno do que é veiculado.

Muito se fala em Aldeia Global, mas será mesmo que a informação chega a todos? Se ela é realmente clara? Se é analisado o grau de satisfação do público? Será que os métodos ainda são arcaicos?

Uma informação transparente é o diferencial 

Com a informação em constante rotação, a palmo da nossa mão, a credibilidade é a ferramenta mais importante na comunicação.  O leitor tem a internet como ferramenta de apoio a tudo que lê, vê e escuta, portanto, os comunicadores precisam cada vez redobrar sua atenção.

É aí que entra a credibilidade e transparência. Se um jornalista ou uma mídia veicula uma informação errada e o leitor percebe o erro, a confiança entre ambos é quebrada.

No entanto, se esse veículo volta atrás e se desculpa, incentiva a confiança do seu público. “Hoje nós temos uma resposta imediata e que gera conflitos, confusões, mas isso é da grande história da transparência. Isso favorece a transparência e aumenta nossa responsabilidade de estar publicando uma coisa — infinitamente”.  (Xico Sá, jornalista)

Sendo assim, cada vez mais a imprensa deve se preocupar em conferir o que é publicado. Um exemplo é se um erro for publicado, com a veracidade da internet, em poucos minutos pode alcançar o mundo inteiro.

“Procure acertar mas se você errar, reconheça imediatamente que errou. É uma brincadeira muito séria de transparência que a gente tem que jogar”. (Marcelo Tás, GNT)

Apesar de ser um dos códigos da Comunicação, a credibilidade e transparência, sem o advento da internet o cenário era outro. Embora toda tecnologia, câmeras, computador, filmadoras e equipamentos sofisticados, é como Sonia Bridi diz:

“Essas ferramentas vão mudando, mas a essência do trabalho do jornalista é contar uma história, que não é uma história inventada.”

A essência do jornalismo continua: narrar fatos. Ou seja, sua transparência e credibilidade estão apenas em uma lupa maior, onde o usuário pode instantaneamente detectar algo.

Leitor e comunicador: ciclo de trocas

Se para um leitor, a credibilidade e confiança é importante, para o jornalista a sua opinião é como um diamante. Quem redigi uma matéria deve pensar como aquele fato será repercutido.

“Porque, como jornalistas, a confiança sustenta tudo que fazemos. Ela subjaz a cada aspecto de tudo que fazemos; o âmago do nosso negócio é a credibilidade”. (Nick Bilton, NYT)

Além disso, a internet e sua facilidade de compartilhamento, faz a produção de conteúdo seja intensa. Cada site fala de um assunto, uma pessoa compartilha um fato, alguém filma um acidente e por aí vai.

“Hoje, a notícia com a Internet, com as redes sociais, é como você encher uma sala de gente e todo o mundo estar falando ao mesmo tempo: Algumas pessoas estão falando coisas relevantes, outras estão só fazendo barulho”. (Sonia Bridi, TV Globo)

Além disso, é possível percebe que a cultura e participação independe do espaço físico. Os fatos vão além das fronteiras dos países.

“Nós temos uma noção planetária, nós sabemos cada vez mais como é interconectada a questão econômica, a questão dos recursos, a questão mesmo política.” (rabbi Nilton Bonder, Lider espiritual da Congregação Judaica do Brasil e escritor)

Um exemplo são as campanhas de apoio a Guerra da Síria. A mobilização e ajuda independe do espaço. São criados fóruns e abaixo assinado que podem ser acessados por qualquer individuo.

Outro exemplo são as manifestações de 2013. A mobilização foi tão intensa que todo o país foi para as ruas, instruídos por meio das redes sociais.

Ou seja, este meio contribui para a formação de pensamento crítico, por dar acesso a informações de diversos meios. Além disso, o ano de 2013 destacou a mídia ninja.

A mídia ninja foi um meio que amadores ou comunicadores observaram para mostrar o seu lado da notícia.  Sem apoio das grandes mídias, as redes sociais eram e são usadas como espaço de manifesto.

“O que se mostra interessante é que dentro desses conflitos, desses swarmings, a educação e o debate e as discussões fomentam a opinião pública, e ela cria também um consciente coletivo.” (Rony Rodrigues, sócio-fundador d’OGrupo)

A informação não tem fronteiras e nem dono

Nenhuma informação possui apenas um lado. Nenhum jornalista é o dono da verdade. A informação é mutável e todos devem ter acesso a ela.  “Não existe mais o preto e branco, é o tom de cinza que faz.” (Tiago Mattos PERESTROIKA, Co-fundador da Escola de Atividades Criativas Perestroika)

Ou seja, não há fronteiras ou limites.  Sendo assim, o jornalista precisa pensar no modo como quer seu trabalho, de qual forma isso chegará diretamente a sua audiência.

A tecnologia é uma “mão amiga” ao jornalista, então basta que ele pense em modos atrativos para os leitores. Sem falar que seu leitor pode ser um impaciente que quer conhecimento fácil e rápido.

Isso é um dos desafios na comunicação: a rapidez de ser consumidor informação. Alguns pensam que estar conecto é sempre estar com a tela do celular aberta e a timeline “correndo”.

Mas consumir informação não estar sempre conectado. “As pessoas estão misturando essa coisa de não estar atualizado ou de ter que ficar plugado o tempo inteiro.” (Bia Granja & Bob Wolheim, fundadores da youPIX)

Nenhum método jornalístico é permanente

O grande mal da comunicação é acreditar que o jornalismo é imutável. No entanto, diversos paradigmas são construídos a cada dia para quebrar essa certeza.

“A gente tem medo do erro, e hoje a gente aprende errando. As empresas têm que aprender errando. A gente tem que experimentar. As coisas estão em estado beta.” (Marcelo Tas, GNT)

E o que é estado beta? É algo mutável. Em constante movimento. É quando a informação ou um produto não possui limitações. No caso do jornalismo é a notícia em transformação.

“O pensamento beta, em que nada está pronto e tudo está em transformação. A natureza é beta”(Tiago Mattos, PERESTROIKA). No entanto, não é fácil esse estado beta. Os jornalistas, os veículos de comunicação e as pessoas precisam se adaptar. Cada dia é uma modificação diferente.

É deixar a rotina de lado, criar novos hábitos e opinião e, construir a cada dia uma nova narrativa neste mundo tecnológico. Essa rotatividade reflete no jornalismo e na sua produção e, em como agradar o público.

“Muitas marcas descobriram que nem sempre precisam de uma editora para alcançar a audiência. Agora conseguem alcançar a audiência diretamente, em muitos lugares, através do Twitter, Facebook, Instagram.” (Raju Narisetti, THE WALL STREET JOURNAL)

Ou seja, a era digital vem para quebrar tudo que era considerado importante nos formatos jornalísticos. Sem falar em como o mercado e a procura por profissionais se alterou.

Ou seja, “a Internet vem com um pensamento muito mais coletivo do que individual”. (Felipe Neto)

Sendo assim, para que o mundo entenda a transformação e comunicação é necessário focar o olhar. É necessário perceber que a forma de receber a notícia mudou e que o público está cada vez mais exigente.

 

Leia também:

O produto do jornalismo não é a informação, é a credibilidade

O futuro do jornalismo na Era Digital

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ÓLEO DE COCO: O MAIS NOVO QUERIDINHO DO MERCADO

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Fonte: DR Rocha/Divulgação 

 

Fala-se muito sobre os benefícios do óleo de coco, mas será mesmo que o produto
é milagroso é resolve problemas de saúde, emagrecimento, cabelo e pele?

Por onde você passa tem alguém conversando e falando sobre alguma receita envolvendo o óleo de coco. É no salão de beleza, na sala de espera da nutricionista, no trabalho, na academia, nas redes sociais ou em alguma reportagem seja TV, Rádio, Jornal ou Revista. Mas afinal de contas, o que há por trás desse milagroso produto?

Para entender melhor, o óleo de coco é feito através da prensagem da fruta madura. No entanto, há muito por trás desse processo. Tem óleo de coco refinado e puro. Sem falar das classificações: virgem, extra-virgem e orgânico. A dúvida é, qual deve ser usado na culinária ou na estética? Mas isso é só o inicio! Deu para perceber também que não adianta só seguir aquela dica da sua vizinha sobre usá-lo nos cabelos para hidratar, tem que saber qual tipo é o certo.

No processo de fabricação, a prensagem é feita com a fruta limpa e sem casca, mas no caso dos refinados são produzidos com cocos frescos ao contrário do puro que é feito do coco seco. O óleo virgem é feito através do processo refinado e embora a secagem seja feito por máquinas, todo o procedimento é natural e livre de contaminantes.

O óleo extra-virgem também é feito da mesma forma, mas como explica o site Óleo de Coco, o que diverge é:

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Chama de virgem o óleo que é obtido a partir do mesocarpo (parte marrom fibrosa, entre o endocarpo e o exocarpo) do coco e de extra-virgem o óleo obtido a partir da parte branca carnosa em seu interior

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Já os refinados não possuem o mesmo processo dos puros, portanto, requerem um auxilio de refinamento para retirada de contaminantes. Com isso, os óleos acabam perdendo parte dos seus nutrientes. Sendo assim, os óleos refinados servem para fritura, por ter um ponto maior de fumaça.

Dividindo os óleos em tipos, vamos chegar ao assunto que vem tornando o produtor o ”famosinho” nas prateleiras de supermercado e lojas: qual tipo serve para cada situação -citado no inicio do texto – ?

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Fonte: Óleo de Coco/Divulgação 

Os não-refinados, ou seja, os óleos virgens e extra-virgens podem ser utilizados no lugar da manteiga e o melhor, ele não possui lactose. Uma dica importante para os intolerantes. Eles também pode ser utilizados em pratos que requerem pouca produto, apenas para que o produto não grude na panela.

Você pode usá-los também nos cabelos; para retirar maquiagem, depilar; usar como anti-séptico e hidratante corporal; para emagrecimento; ou para prevenção de estrias. Além de todos os benefícios citados, o óleo de coco também é ferramenta para melhorar ainda mais sua saúde.

Há indícios que seja um auxiliador no controle do hipotireoidismo, infecções, melhora da saúde cardiovascular e do sistema imune.

Pelo que você percebeu, o óleo de coco tem tudo para auxiliar e melhorar sua vida em diversos aspectos, no entanto, o que muitos não sabem é que há especialistas que discordam e acreditam que os benefícios são apenas mitos.  De acordo com reportagem da Folha de São Paulo, a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) afirma que o milagroso produto não tem os benefícios que vem badalando os diversos setores.

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Após alguns testes em laboratórios, a ABRAN tenta justificar que a utilização do produto não é verdadeira, que sua fama surgiu apenas pelo modismo e porque a sociedade busca sempre produtos milagrosos para saúde, emagrecimento e beleza pessoal.

Enquanto os testes não são conclusivos, o uso do óleo requer precaução e utilização regrada. Além disso, é sempre bom procurar um profissional qualificado antes de utilizar, independente do modo que pretender usar.

 

Afinal o que prevalece no Jornalismo: objetividade ou subjetividade?

Talvez muitos não saibam – ressaltando os profissionais da Comunicação -, mas Hunter Thompson (1937-2005) é o percussor de umas das técnicas conhecidas como Jornalismo Gonzo. O americano, apesar da vida repleta de vícios e loucuras, mostrou que a grande imparcialidade em torno do Jornalismo pode ser algo negativo. O estilo Gonzo era uma mistura de ficção e realidade, em que o escritor deixava a objetividade de lado e rompendo a barreira entre escritor e autor do texto.

Contrariando Thompson, grande parte dos manuais jornalísticos afirmam que o mais importante é a imparcialidade, mas será mesmo? É necessário que todo jornalista deixe de lado em seus textos – exceto para crônicas e livros literários – toda a emoção, sentimento e opinião de lado? Talvez a imposição da opinião no seu texto dará ainda mais credibilidade a quem escreve do que o contrário?  O jornalismo literário talvez seja uma solução e não estilo negativo como é visto e escrito pelos Manuais de Redação. Não é necessário abandonar as seis perguntas (“O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê?”) e sim, usá-las como ferramentas ao lado da subjetividade, tornando a reportagem puramente noticiosa em uma matéria no qual o leitor poderá sentir o que repórter queria dizer.

Se tornar parte da notícia talvez seja negativo para alguns, mas qual é o medo de expressar sua opinião? Pois quando você divulga um texto, ali está sua opinião, mesmo que discreta e inclusa em argumentos, fontes e personagens da notícia. Então porque não ir além? Colocar sua emoção ao presenciar o fato e sua opinião sobre o que houve ali. O Jornalista precisa às vezes se desvincular da empresa que trabalho, pois seu trabalho é independente do que ditado ali. Precisar relembrar de quando ainda era iniciante e começava os estudos na faculdade, quando teve aquele sonho até utópico de ser o emissor da verdade e dos acontecimentos.

Talvez seja preciso enquadrar-se a época, deixando de lado a ideologia do jovem estudante, mas continuando com sua essência, pois o fundamento e papel do Jornalismo sempre foram a clareza dos fatos.  Deixando as opiniões nas estrelinhas. O sarcasmo na voz. Apenas a clareza do que se quer noticiar. Seguindo o contexto da frase de Hunter Thompson: “A vida se tornou imensuravelmente melhor desde que fui forçado a parar de leva-lá tão a sério”. Pois então, deixe de levar a notícia tão a sério não é deixar de ser profissional. É mostrar que assim como Thompson, como a Revista Piauí – sucesso no Brasil e no mundo por ser uma precursora do estilo Gonzo – e entre outros exemplos na mídia mundial, você como Jornalista também pode emitir opinião e emocionar sem medo.

Afinal: o que são seis segundos de atenção?

O completo artista Humberto Gessinger, com raízes gaúchas, já foi vocalista da banda Engenheiros do Hawaii e atualmente possui uma vasta carreira musical solo, além de projetos parale

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Fonte: Estante Cômica

los como Pouca Vogal. O portalegrense é autor das obras Meu Pequeno Gremista (2008), Para Ser Sincero (2009), Mapas do Acaso (2011) e Nas Estrelinhas do Horizonte (2012).

Fugindo da linha do último livro Nas Estrelinhas do Horizonte – sua autobiografia –  Gessinger lança em Seis Segundo de Atenção (2013) um repertório de crônicas relacionadas a seu dia a dia, suas músicas e seu conhecimento cultural.

Com um linguajar apurado nas 163 crônicas, Humberto instiga o leitor a ter conhecimento em inglês, em termos musicais, personalidades como Wim Wenders e fatos como a Segunda Guerra Mundial, além de citar livros como A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells. Gessinger em todo o seu livro trata como aspecto principal sua vida e toda sua carreira musical.

Sempre em contato com o leitor, o cronista usa títulos divertidos e que o atraem como: “Sexta-feira santa”; “1,2,3,4,5,6 Eu Tu Ele Nós Vós Eles”; Vento que venta lá (também venta aqui); e “Seis sentidos da mesma direção”.  No entanto, nem sempre os temas dos títulos têm relação direta com o conteúdo. O escritor mescla o bom humor com temas sérios, sempre usando a ironia para opinar sobre temas como política, música, cultura, tecnologia e assuntos banais.

Para aproximar do seu público para um diálogo, ele usa de gírias, sotaques e vocabulário da região sul. Sempre finalizando suas crônicas com perguntas e questionamentos como reflexão. O trecho abaixo é um exemplo:

“A questão não se esgota em ser ou não do ramo. Talvez o tal ramo nem exista em determinados meio social e período histórico. Quantos extraordinários artistas, cientistas, atletas ou filósofos morreram antes de nascer, pois estavam na hora errada no lugar errado (cedo demais, tarde demais, longe demais)? ”

Sempre trazendo família e mundo particular aos texto, com  personagens como sua filha, Clara, seu tio, Antônio,  e seu ex-companheiro de banda, Carlos Maltz. No entanto, sempre em primeira pessoa, Gessinger é o protagonista das histórias. “Mas ouvir minha voz, minha banda, minha composição numa daquelas rádios que só tocavam as mais tocadas foi algo estranho. ”

O livro se demostrou ser bastante pessoal, como se fosse um diário. Sempre opinativo, as crônicas de Gessinger são puramente literários, se distanciando das características de textos jornalísticos como resenhas, artigos e reportagens. As crônicas deste livro apresentam gírias e diálogos que fogem do mundo do Jornalismo, como a passagem: “É muito pouco e muito lento o que se pode fazer para mundo o espírito do tempo (dãããã! Óbvio né? Se não seria o espírito do tempo). Sacar qual é o tal espírito já é um grande passo”.

Além de diversos incógnitas presentes nas crônicas, o número seis apresentado no título e em diversos momentos do livro não possui uma explicação clara, pairando como uma interrogação do porquê do uso constante deste número. A perseguição pelo seis aparece oito títulos como: “Seis pilhas para o meu rádio”; “Seiscentos anos de estudo”; “Seis sentidos na mesma direção”; e “O homem de 6 milhões de dólares”.

Uma das características marcante do escritor é sempre correlacionar suas crônicas ao seu repertório musical como no título “Seiscentos anos de estudo”, que um trecho da música “Pra entender”, composta pelo próprio no ano de 2013. Abaixo uma parte da música que correlaciona temas presentes em todos os seus textos, além do próprio título do livro.
“Um sonho que não tem fim
Um filme sem muita graça
Uma praça sem muito sol
Seis cordas pra guitarra
Seis sentidos na mesma direção
Seiscentos anos de estudo
Ou seis segundos de atenção”

Gessinger também trata o leitor como um aluno, sempre se mostrando superior ao dialogar sobre assuntos cinema noir, rádio mainstream e expressões gringas como blessing in disguise.  O autor sempre opinativo deixa claro sua opinião sobre o futebol e sobre comentaristas futebolísticos. O trecho que marca sua expressão é:

“Nos bate-papos esportivos, na falta de assunto mais momentoso, frequentemente pinta a questão: “É necessário ter sido jogador para ser técnico”. Sempre tem alguém que responde: “Para ser jóquei não precisa ter sido cavalo! ”. É um clássico da oratória.

Ou também a passagem: “Quando os colegas comentaristas vindo do curso de jornalismo, sem experiência de campo, faziam teses mirabolantes, cheias de palavras, com muitas sílabas, num tom de enfado ele repeti: “Ah, esses intelectuais do futebol…”

Além disso, o autor deixa claro sua paixão pelo Grêmio, relembrando um fato quando ainda era criança. A passagem em questão é: “Quando eu era piá, costuma ouvir um comentarista esportivo das antigas. Ele havia jogado no Grêmio, na década de 30. Depois, atuou como árbitro e ainda treinou a dupla Gre-nal. Muitos consideram Foguinho (era este seu nome de guerra) um dos pilares sobre os quais se ergue a tradição gaúcha do futebol-força. ”

Por fim, o que impacta o leitor na obra é a mesclagem entre crônicas e letras de músicas do próprio autor e parcerias, a afim de correlacioná-las e mostrar que seus textos vão além livro, são próprias canções.

REPÚBLICA: Minha nada mole vida

Quando adolescentes muitos sonham em se mudar para sua casa e morar com os amigos, acham que a vida será repleta de festas e bebedeiras. Mas a realidade estudantil das repúblicas do Buritis, não são bem assim…

Jornalistas: Caetana Lisboa, Fabíola Costa e Wellington Barbosa

O BAIRRO BURITIS 

 

 

Quem chega à capital mineira procurando um local para se estabelecer, com certeza se encanta com a região do Buritis. Quem vê o bairro repleto de áreas verdes, redes de comércio, prédios e centro de estudos, não imagina como ele era na década de 60.

No local estava localizada uma fazenda – que abrangia a região do Buritis até os bairros Palmeiras e Estrela D’alva., de um senhor chamado Aggeo Pio Sobrinho. No entanto, como era uma região visada por empresários, a fazenda acabou sendo vendida e as região repartidas, constituindo-se, parte dela, no bairro Buritis.

A partir disso, grandes construtoras na década de 80 começaram a trazer grandes empreendimentos para o local. Além de faculdades e centros universitários que começavam a se instalar na década de 70. No entorno da região, os moradores têm a disposição faculdades como a Newton Paiva e UNI-BH e, em consequência deste grande número de estudantes, a região também é contemplada com um leque de bares e repúblicas.

Assim o grande número de jovens, muitos deles vindo do interior movimentam o mercado imobiliário da região, bairro possui grande número de repúblicas e apartamentos universitários.

A consultora de imóveis da região,  Daniela Blom, explica que apesar de alguns síndicos e donos de apartamento ter um preconceito em alugar para estudantes, a imobiliária não faz nenhum tipo de contrato diferenciado. É preciso de um responsável para alugar o apartamento e fiadores, da mesma forma que é praticado para uma família.

Se você sempre imaginou que as universidades e a vida acadêmica são filmes americanos, como a sequência American Pie, da produtora W.K. Border, você pode estar enganado.

Sair da casa dos pais e ir morar em uma nova cidade para fazer a tão esperada universidade é um desafio na vida dos jovens. Alguns escolhem sair do interior e estudar nas universidades da capital, outros preferem ir para as chamadas cidades universitárias.

Apesar do desafio inerente do momento, como em outros âmbitos da vida, o universitário das repúblicas do buritis, tem uma rotina bem diferente das vividas por quem escolhe estudar no interior.

A realidade das Repúblicas no Buritis

Para a estudante Ianny Rodrigues, natural de Santo Antônio do Jacinto (MG), após suas experiências, percebeu que muitas coisas não são como pensaram. “Imaginava farra todos os dias, mas descobrir que estudante não tem dinheiro nem para farras umas vez ao mês”, afirmou a estudante de 20 anos, que cursa Engenharia química.

​Assim como ela, Michelly Mello, de Sana Maria de Suaçuí (MG), também tinha a mesma opinião. “Acreditava que tudo era desorganizado, repleto de drogas e bebidas”. Mas a realidade das meninas era outra; a vida em república vai muito além disso. Um exemplo é a rotina de Michelly, que estuda engenharia de produção.

“Acordo as 6h30 , saio de casa às 7h20. Trabalho de 8h às 18h. Do trabalho, vou direto pra faculdade onde, em geral, fico até às 22h. Chego em casa por volta das 22h15”. Além da rotina, a distância da família e a dificuldade de conviver com pessoas totalmente diferente é destacado por Ianny. “É bem complicado, mas nos falamos todos os dias e em todas as férias eu vou para minha cidade vê-los. Como são 12 horas de viagem eu só vou nas férias”.

​Sobre a convivência, a estudante de Engenharia Química afirma que a maior dificuldade foi “conviver com pessoas totalmente diferentes e criações diferentes”. Da mesma forma Michelly conta que a adaptação foi o mais complicado, pois segundo ela: “as pessoas aqui são pouco solidárias”.

​Viver em república, além da adaptação e convivência com outras pessoas, requer um bom relacionamento com os vizinhos, que de acordo com a Ianny sempre reclamam dos barulhos, das conversas e das festas. “A convivência é tranquila na base do possível, eles reclamam muito quando estamos reunidos para conversar na sala, e principalmente das nossas farras”. No caso de Michelly a convivência com os vizinhos quase não existe.

“Não conheço meus vizinhos. Não fico em casa. Venho só para dormir”. Esses são alguns dos desafios que os estudantes encontram ao longo da vida fora de casa. Mas para a Psicoóloga Flávia Contijo, esse momento de viver fora da casa dos pais é fundamental para a formação da pessoa adulta, lembra inclusive que em muitos países é tradição o jovem sair de casa bem cedo.

De acordo com a Ianny, em sua república todos possuem funções. “Na nossa república tudo é divido igualmente entre os quatro. Temos uma organização de três fazerem a comida e arrumar a cozinha, e um ficar por conta da arrumação da casa e lavar o banheiro uma vez por semana, é tudo muito organizado”.

​Embora tenha uma rotina complicada, ela afirma ser possível conciliar com as afazeres da casa. “De segunda a sexta, acordo 8h30 da manhã para estudar, depois faço o almoço (menos na sexta), e vou para o SENAI a tarde onde faço um curso de 13h as 15h30 , depois vou direto para a faculdade na qual começa às 18h55 e termina as 22h35”.

​Ianny conta que sempre morou na mesma república e nunca teve problemas com fiador e aluguel de apartamento, pois os pais de suas amigas sempre são os responsáveis pelo aluguel. “Nós montamos nossa república na minha cidade e sempre foram um dos pais que alugou, então foi bem tranquilo”.

​Já Michelly não vem tendo a mesma sorte com a aluguel e fiador do imóvel. “Estamos tendo problema agora. Precisamos de outro apartamento e não temos fiador”. Além disso, a estudante destaca a dificuldade de convivência com os outros estudantes da casa. “Em alumas repúblicas já aconteceu da minha comida simplesmente sumir. Não respeitam o que é do outro”.

A realidade de Repúblicas no interior

​Marcelo tem apenas 17 anos, que mora em São João Del Rey, estudante de Engenharia mecânica, conta um pouco da sua rotina na república. “A rotina nessa casa simplesmente não existe, posso dizer que meus irmãos dessa casa aqui são um tanto quanto extrovertidos e fazem com que todo dia seja uma loucura diferente”.

​A república de Marcelo tem mais 12 universitários dividindo a casa e as “loucuras” com ele, e o jovem conta que as expectativas dele antes de chegar na república condiz com que ele vive atualmente, pois não existe uma rotina estabelecida, cada um ajuda um pouco de acordo com sua disponibilidade de tempo, “são todos como uma família, que ameniza a falta dos familiares”.

​O Pedro Ribeiro, também é estudante de engenharia mecânica em São João Del Rey, e conta que a república em que mora, com mais 10 universitários, é uma república tradicional e famosa na cidade, então é sempre um entra e sai de pessoas. A rotina do estudante cheia de atividades relacionadas a república.

​“A minha rotina diária em geral é simples. Tenho aulas de segunda a quarta na parte da manhã e da tarde, além disso, tenho minhas responsabilidades com a república, como comprar o almoço em determinado dia da semana, passear com o cachorro, entre outros”.

A ex-estudante de engenharia de produção, Roberta Campelo conta sua experiência em Ouro Preto e da tradição que as repúblicas de lá carregam. “Quando você chega na república, é carinhosamente chamado de bicho, e todas as pessoas que estão lá antes de você te ensinam todas a regras da casa e existe uma hierarquia a ser seguida.”.

​A amizade é o principal legado que fica da vida em república, segundo Roberta. E apesar das atividades que cada uma tem na casa, a rotina dela se resumia em faculdade – casa – festas – festas – casa – faculdade. “É um período da vida muito intenso e muito prazeroso, mas que você aprendi muito”, conta.

​O casal Dallia Novaes e Renan Novaes são ex-estudante de Educação Física e se conheceram em Viçosa, para eles vida em república é um ensinamento constante e ajuda muito nas responsabilidade que precisam ter para uma vida em casal. “Você cria responsabilidade e aprende a respeitar mais o outro”, afirma Renan.

Renan conta que a rotina em Viçosa era muito regada a festas, e bebedeira, e que inclusive sua atual esposa, e antes amiga de sala, aprendeu a beber nessas festas. Viver em uma cidade universitária, fazendo uma faculdade federal, no início você estuda pouco e farreia muito. Mas isso é só nos primeiros períodos, depois o curso vai exigindo mais de você e as farras vão diminuindo. Mas eu, por exemplo, morei em Viçosa sete anos, fiz graduação e mestrado, não queria ir embora.” (risos) conta Dallila, que atualmente mora no bairro Buritis com o marido.

​Para  a psicóloga Flávia Contijo, o caminho inverso também tem suas peculiaridades. A psicóloga conta que deixar rotina de uma república que nos últimos anos foi sua vida e voltar para a casa dos pais é ter que se encaixar em antigas regras é complicado. “os pais precisam entender que o jovem que viveu fora, volta para casa com outras percepções, é uma nova pessoa”.

 

 

 

O VENTO DE ESPERANÇA

Ainda era segunda, a semana começava a nascer.  Ali, refletindo sobre meu dia, ouvia de fundo o pessoal da van da faculdade reclamando que não poderia chegar atrasado, pois tinha prova no primeiro horário. No meio disso, um burburinho me chamou a atenção. Olhei pela janela, havia uma aglomeração. Ouvi gritos e batidas.

Vendo aquela cena, me recordei de um domingo marcante. Era dia de jogo do América. O último do módulo II do Mineiro. Enfim o meu Coelhão subiria para a elite estadual.

Acordei alegre. Vesti minha camisa verde e branca e parti para o estádio, com meu pai. Fomos de metrô, velho hábito da família Lisboa. Lembrei como o velho Independência era agradável. Quanta saudade da torcida unida e junta. Sem falar do pé de abacate. Ali, a sombra dele, era o meu lugar preferido. Suspirei e sorri nostalgicamente.

– Poxa, vida! Quanta saudade daquela época!

Perdida na recordação, lembrei como era fácil sentir-se bem no estádio do América, principalmente naquele dia. Como de costume, ao chegar no estádio, o seu Gilberto – apelido carinhoso dado ao meu pai – foi comprar os ingressos, enquanto balançava entre as grades das bilheterias. A ansiedade pulsava no meu peito e meus olhos pareciam dizer:

_ Vamos, pai! Quero ver o Ameriquinha jogar!

Passei rapidamente pela catraca. Sorri para a policial que fazia a fiscalização, abracei meu pai e parti para onde crianças aguardavam para entrar com os jogadores. Tive a sorte de entrar de mãos dadas com o Euller. Estava em êxtase. Aos 12 anos, conseguia entrar ao lado do meu maior ídolo.

Segurando sua mão, sorri e fui retribuída. Recordando, não sei ao certo quem deu sorte a quem. Se foi ele ou eu. Eufórica, deixei o gramado e corri para o meu pai, contando:

_ Papai, você viu? Eu entrei com ele.

Mal começou o jogo e já me sentia vitoriosa. O jogo rolou: América e Ideal FC. O América se consagraria ali o campeão, fazendo a alegria da torcida.

O América começou a partida perdendo, até que o Filho do Vento – como é conhecido o Euller – em cobrança de pênalti inusitada, ao invés de chutar a gol, tocou para Douglas, que rolou para o fundo das redes. Deixando o goleiro, os jogadores e todos nós sem reação, comemoramos sem entender o lance. Não me contive de emoção. Chorei, abracei meu pai e os torcedores ao lado.

O encontro com Euller foi realmente sortudo. Não é que ele ao fim da partida aumentou o placar? 2 a 1 para o América. O estádio explodiu de emoção. Chorei. Cantei. Vibrei com o retorno do meu time. Explodindo de felicidade, ao lado da charanga e demais torcedores, voltamos para casa gritando:

_ Coelhôo! Coelhôo!.

25 de maio de 2008 seria realmente um dia marcante. Recordando essa história, percebi meus olhos marejados. Olhei discretamente para ver se alguém havia notado e retomei a atenção para a cena à minha frente.

Não era um jogo. Era a manifestação contra a Reforma Previdenciária. Não sei o que me fez ligar um fato a outro, mas a união dos Sindicatos, população e cidadãos que brigavam por seus direitos me emocionou. Pouco importei com o tempo. Nem reparei que já estávamos parados ali há mais de 1 hora.

A única coisa consegui pensar ali foi:

_ Do que valem algumas horas perdidas? Ou um dia de estudo perdido? Quando nossos servidores podem perder todos os seus direitos e benefícios?

Intrigada com toda situação, continuei ali, observando a manifestação que afastava. Ao fundo ainda ouvia seus gritos e manifestos, que espero ter sido ouvido pelos governantes.

 

O MARCO DE UMA NOVA ERA

Presente diariamente em nossas vidas, o Jornalismo sofreu modificações ao longo do tempo. A internet trouxe uma acessibilidade a informação, que antes deste advento, era totalmente difícil de obter. A notícia nem chegava a nós talvez pela precariedade dos meios de comunicação, da distância e de censura exercia por alguns governos controladores.

Já com a internet, tudo ficou mais acessível e essa facilidade fez com que o canal de comunicação entre usuário e mídia deixasse de ser apenas pela Televisão, Rádio, Jornal e Revista. Além do mais, o consumidor deixava de ser apenas o receptor da notícia, influenciando e opinando sobre todo o conteúdo publicado, seja ele virtual ou não.

Se formos imaginar são mais de 3,2 bilhões de pessoais com acesso a Internet, navegando por diversas plataformas, opinando e influenciando diretamente no sucesso do que está ou não do sendo veiculado.  Pensar no Webjornalismo nos direciona a Aldeia Global – termo criado Herbet Marshall –. Marshall afirma que “uma rede de ordenadores, tornará acessível em alguns minutos, todo tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro”. 

Nesta linha, todos os meios de comunicação precisam modificar seus métodos jornalísticos, pois as plataformas precisavam de mais interatividade, hipertextualidade e espaço multimídia. Um exemplo é a Folha de São Paulo que possui uma plataforma onde o consumidor não representa apenas mais um view. No site, o usuário pode navegar não apenas pelas matérias, que apesar de jornalísticas, tem uma ampla interatividade.  Jamais em uma matéria impressa seria possível ler os comentários de outros leitores ou a possibilidade de compartilhar nas redes sociais. Sem falar da acessibilidade, é possível para cegos ouvir a matéria disponibilizada.

Sem título

Além disso, qualquer cidadão pode enviar para os redatores opções de matérias e até mesmo vídeos, fotos e textos sobre uma reportagem, crítica, elogio ou sugestão. A seção erramos também é um exemplo, que não seria possível nos jornais impressos, pois a matéria já estaria nas bancas, impossível de corrigi-la. No caso da plataforma virtual é possível citar no início da reportagem quando algo sofreu alteração ou houve algum erro.

A Folha também investiu em um canal que atrai um público diferenciado, a TV Folha. Onde são veiculados matérias, bate-papo e reportagens como uma narrativa diferente, usando banco de dados, infográficos, animações e outras formas de interação para atrair o seu usuário.

O portal da Folha também é repleto de Ubiquidade, através de seus canais de Acervo, venda de ingressos, Ombudsman na versão em Inglês, espaço com interações Ao Vivo, Folha Transparência e outros canais. O Portal deixa de ser apenas um reprodutor das matérias impressas e assumi um formato com opções de acesso a informação amplamente maior que as matérias impressas.

O Webjornalismo representa a evolução no jornalismo e o fortalecimento com as ferramentas online, pois o investimento das plataformas multimídias não fará com que os meios de comunicação sejam engolidos pela Internet. A troca das formas de divulgação e construção de matéria são um investimento, pois cada vez mais os meios de comunicação precisam da interação e participação do consumidor.